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RIO - A cachaça, quem diria, vai merecer um espaço só seu em pleno centro histórico do Rio. Uma parceria do governo do estado (que vai liberar os recursos) e da prefeitura (que cederá o terreno, provavelmente na Praça Quinze) resultará no Museu Brasil da Cachaça. E não será um simples museu. O projeto, pronto desde a semana passada, lembra o Mercado São Miguel, em Madri, onde se encontra um resumo gastronômico da Espanha; ou o Havana Club Rum Factory, um dos pontos turísticos mais visitados de Cuba e que explora a qualidade da bebida cubana.

Totalmente interativo, o museu carioca vai mostrar ao visitante a origem, a história e os processos de produção da cachaça brasileira, especialmente a fluminense.

— A cachaça não é mais a bebida menor. Trata-se de um produto tipicamente brasileiro, com uma indústria fantástica e que tem grande aceitação no mercado internacional. O museu será tudo de bom para o turismo carioca. E vai gerar emprego e renda. O museu funcionará junto a um grande mercado gastronômico e de entretenimento. Um espaço viabilizará o outro — explica a primeira-dama do estado, Maria Lúcia Horta Jardim, presidente do Rio Solidariedade, que encomendou o projeto.

O sonho de Maria Lúcia e do grupo que trabalhou na criação do Museu da Cachaça é que as instalações fiquem na Praça Quinze, onde funcionou o antigo Mercado Municipal. Ele contará com área museológica, salas para exposições permanentes e temporárias, local para atividades educativas (com salas para cursos e auditório), biblioteca especializada, espaço para receber consultores e produtores, além de 50 lojas e restaurantes. O museu terá estacionamento para 120 veículos.

— O museu vai ter a cara do Rio e do Brasil. A cachaça está intimamente ligada a outras manifestações culturais, como o artesanato, o cordel, a seresta, a poesia, o chorinho, as músicas de carnaval e até as artes plásticas (os rótulos criativos). E, claro, acompanha a gastronomia típica, já que é imprescindível na feijoada. É a terceira bebida destilada mais vendida no mundo — acrescenta, entusiasmada, Maria Lúcia.

O empresário carioca Elizeu Drumond, que mantém negócios em Cuba, aprovou o projeto do Museu da Cachaça.

— Impossível ir a Havana sem passar pelo Havana Club Rum. Não é um lugar rico, mas é de visita obrigatória. O Museu da Cachaça cairia como uma luva na Praça Quinze, que possui uma arquitetura especial e que foi valorizada com a derrubada da Perimetral — completa o empresário.

Entusiasta do projeto do Museu da Cachaça, o secretário estadual de Turismo, Cláudio Magnavita, acredita que o incentivo ao consumo da bebida artesanal brasileira tem ainda mais espaço para crescer. Ele conta já ter convencido grupos que administram hotéis de quatro e cinco estrelas do Rio a oferecer aos hóspedes uma cachaça artesanal fluminense em vez de vinho.

A Secretaria de Turismo também está apoiando a criação do Polo da Cachaça do Sul Fluminense. Em Paty do Alferes, já funciona um pequeno Museu da Cachaça. O Rio tem 67 destilarias e produz 104 milhões de litros da bebida por ano, o que corresponde a 8% da produção brasileira. É o segundo maior exportador, perdendo apenas para São Paulo.

— Em Cuba, o cartão de visitas é uma garrafa de rum. Vamos fazer o mesmo aqui, mas com a nossa cachaça. A primeira destilaria da bebida no Brasil funcionou na Ilha do Governador. Nossos alambiques no interior do estado nunca foram tão visitados e estamos pedindo aos hotéis que sirvam caipirinha com cachaça produzida no Rio — conta o secretário, que está planejando, para dezembro, o Festival da Cachaça de Búzios, nos mesmos moldes do evento que é tradicional em Paraty.

Publicado em: O Globo
Data: 01/09/2014
Autor: Paulo Roberto Araújo
Link: http://oglobo.globo.com/rio/cachaca-podera-ter-seu-proprio-museu-na-praca-quinze-13789554

 



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